A “barata do mar” gigante que ganhou nome de vilão de filme por causa da cabeça
Nas profundezas do Mar da China Meridional, perto das Ilhas Spratly, pescadores vietnamitas já conheciam havia anos uma criatura curiosa: um crustáceo gigante, parecido com uma barata do mar, que os cientistas batizaram oficialmente apenas em janeiro de 2025. O nome escolhido não foi aleatório — a espécie recebeu o nome científico em homenagem a um famoso vilão do cinema, por causa do formato de sua cabeça, que lembra bastante um capacete icônico de filme de ficção científica.
A descoberta foi publicada na revista científica ZooKeys por uma equipe internacional de pesquisadores. O animal pertence ao gênero Bathynomus, um grupo de isópodes (parentes distantes dos camarões e caranguejos) conhecidos por seu exoesqueleto rígido e sete pares de pernas. Enquanto a maioria dos isópodes mede poucos centímetros, essa nova espécie é classificada como “supergigante”: pode chegar a 32,5 centímetros de comprimento e pesar mais de 1 quilo, tornando-se um dos maiores isópodes já registrados.
A pesquisa começou em 2022, quando cientistas de diferentes países asiáticos adquiriram exemplares do animal em mercados de frutos do mar na cidade de Quy Nhon, no Vietnã — onde essas criaturas já eram vendidas como iguaria e comparadas à lagosta. Dois exemplares foram enviados para análise detalhada em um museu de história natural em Singapura. Para confirmar que se tratava de uma espécie realmente nova, os pesquisadores compararam o animal com outros isópodes gigantes catalogados e realizaram testes de DNA, além de identificar características físicas exclusivas, como espinhos curvados em uma parte específica do corpo.
O animal foi encontrado a mais de 900 metros de profundidade, uma região de pressão intensa e ausência total de luz solar. Apesar do tamanho chamativo, ele não é o maior isópode do mundo — esse título pertence a um parente próximo, que pode ultrapassar 50 centímetros. Ainda assim, a descoberta reforça como o fundo do oceano continua guardando surpresas: criaturas de tamanho considerável, e até já comercializadas por pescadores locais, podem passar despercebidas pela ciência por décadas simplesmente por viverem em lugares de difícil acesso.