O bichinho transparente do Japão que os mergulhadores batizaram de “panda-esqueleto-do-mar
Desde 2017, mergulhadores que visitavam as águas da ilha de Kumejima, em Okinawa, no Japão, vinham compartilhando fotos de uma criaturinha marinha intrigante: um animal minúsculo, com menos de 2 centímetros, corpo quase totalmente transparente e um padrão que lembra, ao mesmo tempo, um esqueleto e o rosto de um panda. A fama nas redes sociais e nas comunidades de mergulho veio muito antes da ciência — o animal só foi formalmente descrito e batizado em 2024, em um artigo publicado na revista científica Species Diversity.
O nome oficial da espécie é Clavelina ossipandae, e ele não poderia ser mais literal: “Clavelina” é o gênero ao qual pertence, conhecido por corpos em formato de garrafinha; “ossi” vem do latim para “osso”; e “pandae” faz referência às manchas pretas na região da cabeça, parecidas com os olhos de um panda. No Japão, o bichinho ficou popularmente conhecido como gaikotsu-panda-hoya, algo como “ascídio panda-esqueleto”.
Apesar da aparência exótica, o panda-esqueleto-do-mar não é peixe nem mamífero — é um ascídio, um tipo de invertebrado marinho séssil (ou seja, que vive fixado em um lugar, geralmente recifes de coral) e se alimenta filtrando água do mar para reter plâncton e outros nutrientes. As “costelas” visíveis pelo corpo translúcido são, na verdade, vasos sanguíneos que correm horizontalmente ao longo das guelras do animal. Já as manchas escuras que lembram o rosto do panda intrigam até os próprios pesquisadores: segundo Naohiro Hasegawa, autor principal do estudo que descreveu a espécie, ainda não se sabe ao certo por que existe esse padrão. Terra
A espécie foi encontrada em profundidades de 10 a 20 metros, fixada em recifes de coral com correntes fortes — um habitat que ajuda a explicar por que um animal tão pequeno e chamativo passou despercebido pela ciência por tanto tempo, mesmo já sendo velho conhecido dos mergulhadores locais. A descoberta reforça um padrão recorrente na biologia marinha: muitas espécies só chegam ao conhecimento formal dos cientistas depois de circularem primeiro como curiosidade viral nas redes sociais.